segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Tudo o que precisa de saber sobre a esquizofrenia

A esquizofrenia é uma perturbação mental grave que pertence aos distúrbios afetivos, em que o doente perde o contacto com a realidade. Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão do séc. XX chamava-lhe de demência precoce, pois esta patologia é muito comum nos jovens adultos.

Sintomas
Esta doença designa-se por um distúrbio psicótico no qual é caracterizada por pelo menos dois destes sintomas característicos:
- Delírios (alteração do conteúdo do pensamento);
- Alucinações (alterações da sensoperceção);
- Discurso desorganizado;
- Comportamento catatónico;
- Sintomas negativos (embotamento afetivo, falta de iniciativa, isolamento social).
Todos estes sintomas devem ser visíveis no mínimo durante seis meses, que podem compreender uma fase prodrómica (diminuição das notas da escola ou trabalho, interesses novos como a filosofia, religião, ideias bizarras e consumo de substâncias).
Esta patologia psicótica tem um bom prognóstico se surgir tardiamente, pois não irá incapacitar o doente para o resto da vida, contrariamente a um jovem adulto, onde irá deixar mais “cicatrizes” mentais.
Os factores que determinam uma boa evolução da doença são:
- Surgir com um início agudo com fatores precipitantes óbvios;
- Haver um bom ajustamento na terapêutica prévia;
- Historial familiar de doenças afetivas;
- Bom apoio social.
Apesar do conceito, nem todas as esquizofrenias são iguais. Há doentes que têm apenas um surto psicótico e nunca mais se repete, e outros que têm muitos durante a vida, o que irá haver mais deterioração cognitiva.
Tratamento
Para uma intervenção eficaz, é necessário um diagnóstico correto desta patologia, muitas vezes são diagnosticadas depressões psicóticas (com atividade alucinatória congruente com o humor) ou bipolaridade com crises maníacas erradamente e isso irá atrasar o rápido tratamento da doença, portanto, é necessário procurar pelo menos duas opiniões de dois Psiquiatras diferentes.
Quando o doente apresenta graves surtos psicóticos, agressividade, perigo para os outros ou ele próprio, não adere à medicação e rejeita tratamento, a solução para estas pessoas passa por um tratamento compulsivo onde um juiz em tribunal irá decidir se irá ter internamento compulsivo ou não.
Normalmente esta patologia é tratada com uma vasta seleção terapêutica, como os anti psicóticos (podem ser de longa duração quando não há aderência pelo doente), lítio, estabilizadores de humor, um ansiolítico ou antidepressivo se for necessário e, se a patologia resistir, poderá ser necessário o tratamento com electroconvulsivoterapia. Se durante o tratamento surgirem novos surtos psicóticos, é necessário alterar e reajustar a terapêutica.
Recomendações Práticas
É importante a integração do cuidador informal e família em todo este processo inerente à hospitalização do doente, pois se houver uma maior compreensão desta patologia sem o preconceito das doenças mentais, todo o processo de tratamento irá ser mais facilitado.
Quando o doente está numa fase inicial de tratamento, a terapêutica para ser totalmente eficaz ainda demora alguns dias, pelo que nesse período o doente deve ocupar o seu tempo nas mais variadas atividades lúdicas. Obter o apoio do Hospital de Dia da ala da Psiquiatria do Hospital que o acompanha, conviver com doentes com a mesma patologia e com variados profissionais de saúde de forma a avaliarem a sua evolução, tudo isto irá ajudar o doente a reconquistar a sua autonomia no tratamento.
Para o tratamento ser totalmente eficaz é necessário uma reintegração num nível de funcionamento mais saudável que o anterior à crise psicótica, de forma a fortalecer a saúde mental. O tratamento ideal é sempre o que proporciona melhor reintegração social do doente.
O Doente
É necessário existir nos familiares e amigos uma compreensão intelectual do doente, desta forma para o mesmo ter consciência dos seus sentimentos e assim auxiliá-lo a utilizar mecanismos de coping para desenvolver defesas novas e saudáveis.
Perante todo o suporte social e familiar, o utente tem que primeiro de tudo, aceitar a doença e saber conviver com ela.
É necessário lembrar diariamente que as pequenas coisas da vida são de facto as mais importantes. Aprender a viver com a doença psiquiátrica não é fácil, não só pela dificuldade que a própria traz, mas pelo estigma que existe à volta da mesma, mas, se houver o apoio necessário, a esquizofrenia é tida em conta como uma doença igual às outras.